No glossário do mundo cervejeiro, duas das palavras mais famosas são “pilsen” e “lager”. Como ambos os termos são muito usados nos rótulos mais populares das principais cervejarias do mundo, eles passaram a ser conhecidos inclusive pelos apreciadores eventuais da bebida, aqueles que curtem cerveja mas sabem pouco sobre os diferentes estilos e processos envolvidos na produção.
Foi essa associação às cervejas produzidas em escala industrial, com marcas que são comercializadas em dezenas de países, que originou uma grande confusão no que diz respeito ao significado de pilsen e lager. O uso dessas duas palavras de forma quase intercambiável, estampando as latas e garrafas de cervejas bastante similares, dificultou o entendimento dos termos por muitos fãs da bebida.
Resultado: é muito comum ouvir alguém utilizar, de forma equivocada, os termos pilsen e lager como sinônimos. Já avisamos logo de cara: não, essas palavras não significam a mesma coisa, e você pode ter sido induzido ao erro por anos e anos lendo os rótulos dos produtos mais famosos das grandes cervejarias. Mas afinal, qual é a diferença entre pilsen e lager, e quando devo usar cada um deles?

A diferença entre família e estilo de cerveja

A maneira mais simples de entender a distinção entre os termos é a seguinte: toda pilsen é lager, mas nem toda lager é pilsen. Isso porque lager é uma das principais famílias de cerveja, ao lado das ales e das lambic, por exemplo. Essa divisão é feita de acordo com o processo de fermentação utilizado em sua produção. As lagers são produzidas com uma espécie específica de levedura que fermenta a uma temperatura mais baixa que as ales.
O resultado é uma cerveja que geralmente tem menos açúcares residuais e menos aromas que resultam da fermentação.  Dessa forma, o sabor principal das lagers geralmente vem dos maltes e lúpulos usados. Ainda assim, as lagers podem ter teores alcoólicos, cor e sabor bem variados. E dentro da família lager, o estilo mais conhecido e popular é a pilsen. Mas que fique claro: pilsen é apenas um dos tipos de cervejas lager, sendo que outros estilos dessa mesma família são bock, helles e dunkel, entre várias outros.

Características das cervejas lager e pilsen

O que une todas essas cervejas é mesmo o tipo de fermentação. Como quase tudo no universo cervejeiro, há um fator histórico para explicar seu desenvolvimento: as lagers despontaram no fim do século 19, quando surgiram os refrigeradores, tornando o controle de temperatura da fermentação mais fácil e podendo ser produzida o ano todo.
Entre os diferentes estilos de lager, a pilsen – surgida na cidade de Plzeň, região da Boêmia, atual República Tcheca – foi a que mais se popularizou mundo afora.

Saiba mais sobre a Cerca Viva e a Cotinus, a pilsen e a lager da Tábuas

Douradas, brilhantes e com amargor presente, as cervejas pilsen são inegavelmente agradáveis, inclusive para os fãs das cervejas artesanais. Na Tábuas, esse estilo consagrado é representado pela Cerca Viva, uma dry hopped pilsner. Ela foi inspirada nas pilsens alemãs, que são mais secas e amargas que as da República Tcheca, e ainda teve um dry hopping com lúpulos que não são tradicionalmente usados nas pilsens: Mosaic, dos EUA, e Huell Melon, da Alemanha. O resultado é uma cerveja refrescante, cítrica e frutada, perfeita para dias quentes.
Além disso, a Tábuas também lançou recentemente uma lager que não é pilsen: a Cotinus Smoked Dark Lager. Extremamente saborosa e refrescante, ela traz toda a complexidade dos maltes escuros e as características florais e picantes dos lúpulos Saaz e Kazbek, com um pouco de malte defumado para criar um conjunto único. Nesse caso, nossa inspiração foram as Czech Dark Lagers, notórias por seu sabor e intensidade, sem perder a drinkability.